Nani e a Elevação

        Estranha agitação no exteriooor. Nani surgiu. Andava numa elevação que não era mesmo nada usual, toda ela causa do terror puro.
        Nani levantou a mão à altura dos olhos e admirou as unhas já com alguns meses sem esforço algum que as partisse ou sujasse. De qualquer forma, sentia-se cansada: as ideias davam-lhe cada vez mais trabalho a produzir.
       Meia-noite. Resolveu ir à missa negra no vale. Repimpou a trança, ajeitou os seios e chamou um táxi. Logo veio um que se recusou a levá-la a tal sítio. Mas ela, que ainda tinha um pouco de pó de enxofre que o Diabo lhe tinha dado para quando fosse caso disso, atirou-o ao ar, disse as convenientes palavras mágicas e ei-la nos vales.
        Quando chegou à igreja, o sacristão mandou-a à torre tocar o sino grande. Subiu e tocou e o sino espalhou um suspiro por todo o vale.
        A mãe de Nani, que de nada sabia e que tinha uma velhice tão avançada que já nem sabia se era ela que estava dentro de si se outra pessoa qualquer, virou-se para o outro lado da cama e adormeceu.
         Nani, mal se conseguiu livrar do sino, desceu e sentou-se a assistir à missa.
       Isolino, que tinha acabado de sair do trabalho, pousou as galochas no cabide e adormeceu. De manhã, a mulher estranhou encontrar o homem já de pé, deu-lhe uma pancada nas costas e ele caiu.
         Nani achou estranho um homem cair a seus pés, levantou-se assustada e saiu da igreja. Estava uma noite bonita, os passarinhos chilreavam com o luar e o rio corria ameno entre folhinhas e miosótis. Nani pensou novamente que a elevação em que andava não era mesmo nada usual. Toda ela causa do terror puro.
         Isolino acordou na sacristia. Saiu. A elevação ficava no lado esquerdo do vale. Subiu. E encontrou Nani que estava lá a fazer um milagre. Ela estava no transe preparatório e ele caiu em tentação. Ela, subitamente deu um pontapé numa árvore e caiu-lhe uma ideia fenomenal na cabeça. Isolino, ao vê-la com aquilo preso à trança, entrou em estado de adoração, começando a tirar e a enfiar os chinelos nos pés, a tirar e a enfiar os chinelos.
        Nesse momento, sonhava a mãe de Nani com uma procissão de adoradores de mitra a gritar que vivesse o desgoverno. Ela subiu ao púlpito, pediu um copo de água e discursou.
            
           Epílogo
         Nani tinha acabado de chegar. Voou por cima dos vales e montes, retirou a mãe do sonho e contou-lhe a novidade: a mãe não precisaria de se preocupar mais... Nani tinha espalhado o pó do Diabo na elevação e tinha soprado, bbbeeeuuuuffffbbbeeeuuuuffff.
         E assim foi: a elevação subiu e planou até parar por cima dos montes e vales. Felicíssima, a mãe de Nani correu para Nani e disse: "Mãe, que fazes!?" - e morreu.

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