Nani e o Guarda-Chuva Quase Transparente

        Aos dezanove anos, Nani era virgem. Nunca tinha sequer dado um beijo a um rapaz. Não podia. Era proibido. Por isso, cobria as raparigas de beijos e chamava-lhes nomes feios enquanto lhes apalpava os seios.
        Quando fez vinte anos decidiu fazer uma festa. Convidou as raparigas e os rapazes da aldeia. A festa seria de manhã, porque o dia do seu aniversário era a um Domingo e os adultos estariam na aldeia vizinha, a assistir à missa.
       À medida que chegavam à festa, os rapazes e as raparigas iam-se surpreendendo, porque Nani estava vestida de uma forma bastante ousada: o que mais impedia os convidados de lhe verem a pele por completo era um guarda-chuva quase transparente que ela trazia aberto à sua frente.
       A cada rapaz foi distribuído um copo de vinho. As raparigas receberam uma espiga de milho cada uma. Estavam todos intimidados e surpreendidos. Então Nani falou:
        - Os rapazes vão meter as espigas dentro das calças, à frente. As raparigas vão tentar roubar-lhes as espigas. A que conseguir a espiga em primeiro lugar ganha um prémio.
        O jogo começou. Era difícil as raparigas conseguirem tirar as espigas de dentro das calças dos rapazes porque, além de eles o tentarem evitar, as que conseguiam enfiar as mãos nas calças acabavam por descobrir duas e não só uma espiga. Riam, riam, riam.
        Até que, finalmente, uma gritou que tinha conseguido e exibiu uma espiga.
        Pararam o jogo e prepararam-se para ver o prémio reservado à vencedora.
        Nani disse então:
        - Como foste a mais rápida, vais poder dar um beijo a um rapaz. Na boca. Só tens de escolher o rapaz que preferes.
        A rapariga, eufórica, apontou para um louro, musculado, que corou quando viu que tinha sido ele o escolhido.
    Todos se prepararam para o grande momento. Rapaz e rapariga aproximaram-se. Lentamente, ela com os olhos fechados, aproximaram os lábios. Quando os encostaram afastaram-nos rapidamente. Juntaram-nos novamente. A rapariga abriu os olhos. Entreabriram os lábios e misturaram o beijo com um pouco de humidade. Quando ela o mordiscou no lábio superior, afastaram-se, terminando o beijo.
        Rapazes de um lado e raparigas do outro, em grande algazarra, quiseram saber como era, a que sabia e como fizeram. Depois, porque estava na hora de os adultos voltarem da outra aldeia, despediram-se de Nani, desejando-lhe muitos anos de vida.
Nani ficou sozinha, a pensar, preocupada, como era difícil compreender as brincadeiras dos deuses-meninos.

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